31 março, 2011

Sabe meu bem...

Isabella Mendes

Sabe meu bem, continuo escrevendo coisas desalinhadas pensando naquele tempo nosso. Não olho mais as fotografias porque minhas lágrimas borraram o teu rosto no retrato. Não penso mais como seria nossa vida juntos pois sei que mesmo que continuassemos, não duraríamos. Sabe meu bem, somos tão diferentes que machuca. Olhando a gente naquela esquina desbotada da memória, vejo que era esta diferença que nos mantinha juntos mas, até mesmo o que mantém perto afasta sabe?! Ah! Meu bem, te guardo sempre pertinho da chuva que não vejo sempre, do cheiro de terra molhada que ela deixa antes mesmo de chegar... te guardo meu bem, sempre em mim, mesmo que machuque. Você me fez tão bem por um tempo, tempo tão bom... Sabe meu bem, os sentimentos já se foram há muito tempo mas, sou teimosa e masoquista que dói. As vezes lembro só pra fazer doer, só pra machucar mesmo. Sabe meu bem, te quero flor pra desabrochar e morrer e secar e eu guardar dentro de um livro velho. Te quero flor seca meu bem, pra quando abrir aquele livro, observar você sempre dentro de mim...

14 março, 2011

Volto

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foto da internet

Volto a te escrever no escuro, a luz foi-se embora há horas. Uso o resquício de claridão que existe em mim para colocar no papel meus sentimentos. Volto a te escrever depois da realidade embargar meus sonhos, depois de anos sem vontade e sem prazer... Volto a te escrever mas, sem afetos apenas vontades. Não sei como você vive, não sei se estuda, trabalha ou transa, não sei se casou, teve filhos ou simplesmente se cansou da boêmia. A única coisa que sei é que volto a te escrever para saber noticias, para matar a curiosidade de como é a sua vida sem mim. Volto a escrever porque há anos, guardo em mim sentimentos meus que são tão teus e que apenas escrevendo terei coragem para confidência-los. Volto a te escrever apenas para pedir a sua volta.